sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Enquanto você dormia - parte 3




Mas onde iria arrumar comida? Descendo a escada, Sion dese­jou não ter dispensado a irascível criada. Mas era um homem in­teligente, e conseguiria fazer tudo o que a sra. Turlow fazia.
— Desculpe-me! — Sion disse à senhora Turlow, que perma­neceu em silêncio, a cabeça pendendo para um dos lados, como se esperasse por mais alguma coisa.
Mas nenhum dos dois falou. Por fim, a criada ergueu o queixo duplo e fez menção de se retirar.
— Mulher! — Sion gritou, quando ela já se aproximava da porta.
— Sim, milorde? Outra longa pausa.
— Você não me ouviu? Eu pedi desculpas.
— Sim, ouvi. Palavras.
— O que mais você quer?
— Palavras nada significam milorde. O que eu desejo... Não, o que eu exijo é a garantia de que não sofrerei mais abusos. Fiz o melhor que pude com as suas bebedeiras e com a pobre lá em cima.
— Quem você pensa que é? Um ser igual a mim? — Sion perguntou lívido.
— Desculpe-me, mas um bêbado é um bêbado. Quer que eu trabalhe para o senhor? Ótimo. Mas terá que me tratar bem.
Sion piscou, aturdido. Desde a morte violenta de sua mulher, e de todo o escárnio da investigação, ele não sentia uma emoção tão forte de autopiedade. Depois da morte de Tory, Sion dedicara cada minuto de seu tempo a um único objetivo: matar-se de tanto beber.
Até aquele dia.
Olhou para si mesmo e viu a que se reduzira: um homem mal­cheiroso, com roupas caras semidestruídas, os cabelos sujos e des­penteados. Transformara-se em um animal.
— Desculpe-me — sussurrou. — Perdoe-me. Estava tão cansado!
— Vou preparar seu jantar, milorde.
Com os olhos fechados, Sion concordou. Ao ouvir os passos da criada se afastando, chamou-a.
— Sra. Turlow, eu cuidarei da garota de agora em diante. Tenho sido um fardo para a senhora, e sei que as próximas semanas serão difíceis; mas a bebida acabou, e pretendo me manter sóbrio. Con­tudo, preciso da sua ajuda. Acha que conseguirá?
— Sim, meu último marido era alcoólatra. Tenho sua permissão para chamar um médico se for necessário?
— Se for necessário, sim. Tem minha permissão para fazer o que achar correto. Se precisar contratar algum ajudante, faça-o. Mas preciso que proteja minha privacidade.
Não queria que ninguém o visse em crise de abstinência.
A sra. Turlow viu o patrão ficar emocionado e achou que, afinal de contas, nem tudo estava perdido. A governanta sorriu, e ele continuou:
— Gostaria também que a senhora limpasse esse chiqueiro que eu criei. Pode contratar ajudantes, e diga que o demônio de Dereham está amordaçado.
— Faremos o que for preciso, milorde.
Sion sorriu em agradecimento. No corredor, viu sua imagem refletida em um espelho. Seu estado era deplorável, muito dife­rente do homem bonito e bem vestido que fora. Lembrou-se de outro espelho, e de uma linda e amável mulher, que o ajudava a fechar o paletó.
Tory — ele murmurou, com saudade. Subitamente, virou-se e caminhou até a escada.
A sra. Turlow entrou no quarto carregando uma bandeja. Seu patrão estava adormecido em uma grande poltrona. Barbeado, res­pirava calmamente, bem diferente daquele homem que não dormia e apenas andava de um lado para o outro carregando uma garrafa.
Pôs a bandeja na mesinha-de-cabeceira e olhou para a jovem adormecida, antes de se retirar. Mas não viu um leve tremor nos dedos da garota, nem sua garganta se movimentar.
Ao lado da mesa-de-cabeceira, Sion olhava para sua paciente. Oito semanas haviam se passado desde o dia em que ele renascera para a vida.
Os demônios ainda o perseguiam à noite, mas eram toleráveis, se é que podia ser tolerável acordar à noite, suando frio. Esforça­va-se para salvar aquela garota, e isso lhe dava a esperança de não ser um fracasso completo, embora a morte de Tory lhe pesasse na consciência.
Olhou para a sua Bela Adormecida e sorriu. Apesar de continuar imóvel, a jovem não tinha mais aquele aspecto emaciado. Seu perfil era agora definido, embora as maçãs do rosto ainda fossem proeminentes demais. Sua pele era aveludada e sem ferimentos.
Todas as manhãs Sion a levava à sacada para tomar sol. Os cabelos dela, agora limpos e sedosos, em breve teriam a vitalidade de uma pessoa saudável; isso aconteceria quando a jovem abrisse os olhos. Ele a alimentava cinco vezes ao dia com a comida nu­tritiva que a sra. Turlow preparava.
Sion ensaboou um pano que molhara em uma bacia e se pôs a dar banho na garota. De vez em quando, captava um leve movi­mento dela.
— Bem, sobre o que falaremos hoje, querida? o marquês sussurrava enquanto a ensaboava. — Você ouviu os cisnes cha­mando esta manhã? Como pode uma criatura tão linda emitir um som tão feio? A sra. Turlow jura que se os cisnes não pararem ela os servirá em uma bandeja de prata.
De repente, Sion parou ao sentir que a pulsação da garota se tornava mais forte e um leve colorido aparecia em sua pele. Bei­jou-lhe levemente os lábios, e pela primeira vez em muitos anos sentiu desejo. Ela era tão suave... De súbito, sua mente se cobriu com imagens da jovem em seus braços. Aterrorizado, afastou-se da cama, desgostoso com o tipo de pensamento que tivera.
— Não! — murmurou com os dentes cerrados. — Calma, um passo por vez. Controle-se!
Aos poucos, relaxou e acalmou-se.
Quando se aproximou novamente da cama, arregalou os olhos, chocado.
— Meu Deus! — sussurrou, dando mais um passo para perto da cama.
A jovem tentava falar, mas não conseguia, e engolia convulsi­vamente.
Sem demora, Sion pegou um copo com água que sempre ficava na mesa-de-cabeceira.
— Água — ofereceu. — Apenas quero lhe dar um pouco de água. Você deve estar sedenta.
Os olhos confusos da garota se fixaram no copo, e ela engoliu mais uma vez, meneando a cabeça afirmativamente. Sion a viu olhar ao redor, e depois tornar a fitá-lo.
Parecia que sua sede era maior que seu medo, pois a desconhe­cida permitiu que Sion a segurasse e bebeu a água em goles ávidos.
Um pouco de água escorreu pelo pescoço da moça, que olhou para baixo, dando-se conta de sua nudez. Com um grito, puxou a coberta de modo desajeitado.

4 comentários:

  1. Oi Annie, como pretende postar os capítulos dessa estória? Quer dizer, qual será a frequência, terá dias certos?? Pq cá entre nós, tu tá mto enroladinha vice amiga kkkkk Por isso perguntei (no face) se teria que esperar sentada pra num cansar kkkkkkkkk Bem, espero non criar mais calo no bumbum,ficar sentada esperando mto tempo tbem machuca vice, rsrs. Barriga de Aluguel já tá me deixando sem poder sentar e espero que nessa seja difentekkkkkkkk bjusss e vê se posta com mais frequência tá?

    ResponderExcluir
  2. tah bom amiga, prometo melhorar minhas postagens cherrie kkkkk
    tadinho do seu bumbum, deu dó kkkkkk

    vamos fazer o seguinte essa fic vou postar as terças tah?
    bjão!!!!!

    ResponderExcluir
  3. Quem não chora não mamaaaaaa kkkk Obrigadinha amigaaaa!!! Bjussss ;-)

    ResponderExcluir
  4. Verdade!! hahahahahhaa
    De nada flore mais tarde eu posto a parte 4

    ResponderExcluir

Copyright © 2014 Coisas de Annie