sábado, 12 de novembro de 2011

Enquanto você dormia parte 9




No alvorecer do dia seguinte, Danae foi até a porta da frente para respirar a brisa fresca da manhã. Envolta em um xale da Sra. Turlow, decidiu caminhar até o túmulo de Jassy.
Quando subiu a colina, viu a alta silhueta de Sion perto da se­pultura, com a cabeça baixa, como se estivesse rezando. Ao chegar perto da sepultura, deparou com uma lápide de mármore com a inscrição:
Em honra de nossa querida Katherine, que ela possa des­cansar em paz e que todos os seus sonhos finalmente se realizem.
Lágrimas escorriam pelo rosto de Danae. Emocionada, aproxi­mou-se de Sion, mantendo os olhos na sepultura.
— Quando isso foi feito? — perguntou-lhe
— A lápide foi colocada ontem.
— Obrigada, Sion.
— Vou deixá-la sozinha. — Dereham começou a se afastar.
— Sion!
O marquês parou.
— Desculpe-me pela noite passada. Eu não acho que você seja como Camden.
— Em sua opinião, todos os homens são como Camden. Por
que não pensaria do mesmo modo em relação a mim? — Ele con­tinuou a caminhar.
— Espere! Não é verdade. Eu nunca pensei isso de você.
— Não precisa mentir apenas para se assegurar da minha ajuda. Eu lhe dei minha palavra e pretendo cumpri-la.
— Seu presunçoso! Não preciso tanto assim da sua ajuda. E depois... você me magoou, Sion.
— Se a magoei ontem, não foi deliberadamente. Devia saber disso.
— Nem mesmo quando me viu usando o vestido de sua esposa?
— Do que está falando?
— Não finja que não sabe! Ontem, no jardim, você gritou co­migo por causa do vestido. E se essa é a atitude que vai tomar, então retiro meu pedido de desculpas. — Assim dizendo, ela se virou para se afastar.
Oh, não! Nem pense em me deixar falando sozinho! Vamos esclarecer isso. Você interpretou mal o que falei sobre o vestido. Não é possível que me ache tão mesquinho!
— Deixou bem claro que é. Seja homem e admita!
— Está bem. Admito, mas não quis dizer isso.
— Então, o que quis dizer?
— Você agiu contra os meus desejos e tentou forçar-me a en­carar Tory. Não posso fazer isso agora, Danae. Gostaria que en­tendesse. Quanto ao vestido, aquele em especial despertou em mim péssimas recordações.
— Sinto muito — ela murmurou. — Mas e quanto a sua in­tromissão nos meus desejos? Você sempre acha que pode me tiranizar.
— Quando me intrometi em seus desejos?
— Bem, você me beijou várias vezes, e minhas aulas de equi­tação ainda nem começaram.
— Sendo assim, não fui contra os seus desejos: se me lembro bem, você também gostou dos beijos.
Oh! Seu convencido! — ela exclamou, corando. — Você não passou pelo vexame de ser colocado sobre o ombro e levado aos gritos para o quarto!
— Está bem, você tem razão. O que mais eu fiz contra seus desejos?
— Ficaremos aqui o dia todo se eu for enumerar minha lista de reclamações, Sion. Não mude de assunto. Se o vestido não o deixou furioso, então o que fiz de errado?
— Eu já lhe disse, Danae. Ainda não posso enfrentar Tory. Dê-me algum tempo, por favor.
— Sinto muito. E que fiquei com pena da pobrezinha, sozinha e abandonada naquele sótão empoeirado. Gostei de Tory assim que a vi, e não queria que ficasse esquecida.
Sion abraçou-a, e Danae apoiou a cabeça no ombro forte.
— Desculpe-me, querida — murmurou, com os lábios na têm­pora da jovem. — Tory nunca será esquecida. Obrigado por tê-la no seu coração. Vocês duas gostariam muito uma da outra. Aliás, se é tão importante para você, pendure o retrato onde quiser.
— Obrigada, Sion. Não o porei em nenhum cômodo que vo­cê use.
— Muito obrigado.
Ele abaixou a cabeça e beijou-lhe os lábios. Logo em seguida tentou afastar-se, mas Danae o impediu.
— Beije-me, Sion.
— Não posso...
Danae virou-se para ir embora, mas ele a puxou pelo braço e abraçou-a de novo.
— Espere!
E os dois voltaram a se beijar apaixonadamente.
De repente, uma rajada de vento soprou, levantando poeira a ponto de quase sufocá-los. E, do jeito que veio, a ventania se foi. Desconcertado, Sion olhou ao redor, mas tudo estava em paz. Olhou para Danae e a viu sorrindo.
— O que foi isso? — ele perguntou.
— Acho que foi Jassy...
Oh, por favor, Danae. Já me disse uma vez que Jassy fala com você, mas agora está indo longe demais.
— Acredite no que quiser, Sion. Não estou louca: ela se comu­nica comigo.
Juntos, os dois olharam para o túmulo de Jassy.
— Ela realmente fala com você? Danae concordou, meneando a cabeça.
— Você acha que aquela ventania... foi Jassy avisando que não gosta de mim?
Oh, não se preocupe com isso. Se não o aprovasse, o fenô­meno teria sido mais violento; um raio, por exemplo. Jassy nunca foi tímida para expressar suas opiniões. Ela gosta de você. — Rin­do, pegou a mão do marquês, e caminharam em direção da casa, discutindo a respeito da visita de Camden e Halsingham, parti­lhando seus pontos de vista em relação à entrevista.

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